Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.
Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.
Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.
Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.
(Cora Coralina)
domingo, 26 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Amar é uma constante em mim
Amar é uma constante em mim
Tive o passado firmado no amor
O meu presente é uma afirmação do amor
O meu futuro será baseado no amor
Nunca amei as coisas
Não amo as coisas
Não amarei as coisas
O ser humano é a minha bandeira
Esta é minha arte
Outras vezes cantei
Não espero ser amado
O que me interessa é amar
Amar com intensidade
Invariavelmente
O meu amor não está limitado ao tempo
E ao espaço
Tem um sentido estético
É eterno
É mais que um beijo
É mais que uma cópula
É mais que um desejo
É uma vontade permanente de amar
Foi o canto da minha adolescência
Foi a música da minha felicidade
É o ritmo da minha velhice
(Solano Trindade)
Tive o passado firmado no amor
O meu presente é uma afirmação do amor
O meu futuro será baseado no amor
Nunca amei as coisas
Não amo as coisas
Não amarei as coisas
O ser humano é a minha bandeira
Esta é minha arte
Outras vezes cantei
Não espero ser amado
O que me interessa é amar
Amar com intensidade
Invariavelmente
O meu amor não está limitado ao tempo
E ao espaço
Tem um sentido estético
É eterno
É mais que um beijo
É mais que uma cópula
É mais que um desejo
É uma vontade permanente de amar
Foi o canto da minha adolescência
Foi a música da minha felicidade
É o ritmo da minha velhice
(Solano Trindade)
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Chove? Nenhuma chuva cai...
Então onde é que eu sinto um dia
Em que o ruído da chuva atrai
A minha inútil agonia?
Onde é que chove, que eu o ouço?
Onde que é triste, ó claro céu?
Eu quero sorrir-te, e não posso,
Ó céu azul, chamar-te meu...
E o escuro ruído da chuva
É constante em meu pensamento.
Meu ser é a invisível curva
Traçada pelo som do vento...
E eis que ante o sol e o azul do dia,
como se a hora me estorvasse,
Eu sofro... E a luz e a sua alegria
Cai aos meus pés como um disfarce.
Ah, na minha alma sempre chove.
Há sempre escuro dentro de mim.
Se escuto, alguém dentro de mim ouve
A chuva, como a voz de um fim...
Quando é que serei a tua cor,
Do teu plácido e azul encanto,
Ó claro dia exterior,
Ó céu mais útil que o meu pranto?
(Fernando Pessoa)
Então onde é que eu sinto um dia
Em que o ruído da chuva atrai
A minha inútil agonia?
Onde é que chove, que eu o ouço?
Onde que é triste, ó claro céu?
Eu quero sorrir-te, e não posso,
Ó céu azul, chamar-te meu...
E o escuro ruído da chuva
É constante em meu pensamento.
Meu ser é a invisível curva
Traçada pelo som do vento...
E eis que ante o sol e o azul do dia,
como se a hora me estorvasse,
Eu sofro... E a luz e a sua alegria
Cai aos meus pés como um disfarce.
Ah, na minha alma sempre chove.
Há sempre escuro dentro de mim.
Se escuto, alguém dentro de mim ouve
A chuva, como a voz de um fim...
Quando é que serei a tua cor,
Do teu plácido e azul encanto,
Ó claro dia exterior,
Ó céu mais útil que o meu pranto?
(Fernando Pessoa)
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Eterna mágoa
O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!
Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo á Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.
Sabe que sofre, mas o que não sabe
E que essa mágoa infinda assim, não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda
Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
E essa mágoa que o acompanha ainda!
(Augusto dos Anjos)
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!
Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo á Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.
Sabe que sofre, mas o que não sabe
E que essa mágoa infinda assim, não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda
Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
E essa mágoa que o acompanha ainda!
(Augusto dos Anjos)
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Estética
Não disciplinarei
As minhas emoções estéticas
Deixa - las - ei à vontade
Como o meu desejo de viver...
É grande o espaço
Embora se criem limites...
Basta somente
Que eu sofra a disciplina da vida
Mas a estética
Deve ser sempre liberta.
As minhas emoções estéticas
Deixa - las - ei à vontade
Como o meu desejo de viver...
É grande o espaço
Embora se criem limites...
Basta somente
Que eu sofra a disciplina da vida
Mas a estética
Deve ser sempre liberta.
(Solano Trindade)
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